Braziel

Ainda desconhecido no Brasil, o diretor teatral Marcus Azzini é sucesso de público e crítica na Holanda.

Marcus Azzini

Marcus Azzini

 

Já faz algum tempo que a imprensa holandesa não adiciona mais o adjetivo “brasileiro” ao seu título de diretor de teatro. Isso em si já é uma consagração. Marcus é o diretor artístico da companhia estável Toneelgroep Ostpool desde 2012 e atualmente está em cartaz com a peça Angels in America, do autor americano Tony Kushner. A peça retrata um complexo mosaico de personagens na Nova Iorque dos anos 80 com uma coisa em comum: todos têm que lidar com a aparição do “câncer gay” que mais tarde seria batizado de AIDS. Kushner recebeu o prêmio Pullitzer pela obra e Angels in America foi também filmada com primor pela HBO, com Al Pacino e Meryl Streep no elenco. A montagem de Azzini tem sido recebida com unanimidade positiva pela crítica (recebeu 5 estrelas, a nota máxima, dos críticos de teatro dos 3 principais jornais holandeses) e tem tido lotação esgotada em todas as salas por onde passa.


Teaser Angels in America from Toneelgroep Oostpool on Vimeo.

Tradução do Holandês: “Meu nome é Teun Luijkx, eu sou ator e faço o papel de Joe Pitt e o meu texto favorito é: “ Eu quero viver agora, eu posso ser o que eu quiser e eu quero estar ao teu lado.” (fala de Marcus Azzini) “A peça é sobre como eles reagem entre si, o quanto ficam com medo em um momento de crise. E sobre o quão humano eles deveriam ser, exatamente em momentos de medo. Como não deveriam fechar as portas mas justamente convidar as pessoas a entrar.”

A biografia de Marcus disponível on-line em vários sites holandeses é bastante sucinta:
“Porque o Teatro? Porque aos 7 anos não me deixaram entrar no balé. Aos 9 entrei num curso de teatro.”
Braziel quis saber muito mais e marcamos um encontro perto da casa dele num café na Javastraat, em Amsterdam leste. A gentrificação na área acabou de começar e conversamos por uma hora e pouco num terraço ensolarado de Abril, rodeados de belos jovens hipsters e imigrantes turcos e caribenses.
A jornada de imigrante de Marcus, como a de tantos outros que deixaram o Brasil nos anos 90, começou em Londres. O plano era passar um ano fora, trabalhar, fazer uma grana, viajar um pouco e depois voltar pra São Paulo e fazer a EAD. Ele não voltou pra o Brasil mas foi para a Italia. “Pra ser ator na Europa eu teria que falar uma língua perfeitamente, eu sabia que eu não poderia mais fazer o Hamlet.” A vontade de ser ator não passou mas ele foi em busca de um novo caminho nas artes. Desta vez o plano era ir estudar História da Arte na Itália. “Aí eu enlouqueci, porque a Itália é o Brasil na Europa, mas muito pior.” Sem saber muito o próximo passo a dar, ele veio para a Holanda, a convite do irmão. Ele tinha passado uns dias em Amsterdam no caminho para a Itália. Seu irmão tinha acabado de chegar aqui e Marcus tinha conhecido um holandês em Londres que tinha lhe causado muito boa impressão. Na Holanda, Marcus voltou definitivamente ao teatro. Estudou direção para teatro entre 1997 e 2001 e depois disso, segundo ele mesmo, tudo aconteceu muito rápido.

O que você sabia sobre a Holanda antes de chegar aqui?

Nada! As coisas turísticas, as prostitutas, o Van Gogh, o Rembrandt. De resto eu não sabia muito. Quando eu cheguei aqui, ainda passando, a caminho pra Itália, me fascinou a sensação de liberdade que tinha aqui no começo dos anos 90. Mas aí eu fui para Itália e quando cheguei lá enlouqueci e liguei pro meu irmão. Não sabia o que fazer, se voltava para Amsterdam ou fazia uma outra viagem mundo afora. E ele me falou : “Vem pra cá e aqui a gente vai vendo o que fazer.” Quando eu cheguei ele já tinha um quartinho para mim. Me alugou um quarto perto da Mercatorplein.

E ele mora aqui ainda?

Não, logo depois de uns meses que a gente estava aqui ele mudou pra Berlim e passou mais de 20 anos lá. Eu cheguei aqui e fiquei. Amsterdam foi o lugar onde eu mais me senti bem recebido.

O que você aprendeu de mais legal na Holanda? O que mais formou quem você é hoje?

Eu tive uma relação aqui de 11 anos.  Quando eu conheci os seus pais, uma das primeiras coisas que eu me lembro ter entendido foi que na Holanda se você não trabalha você não existe. Que trabalhar, fazer carreira é muito importante. E isso ficou muito comigo. Que o trabalho define a sua identidade. Se você não faz nada você não existe. E a coisa da ambição também. Eles exageram muito na coisa do trabalho e da ambição, falta um pouco de equilíbrio entre o prazer e o trabalho. Mas isso me inspirou muito. Aí rolou de eu querer aprender Holandês, de querer ir pra escola e fazer a minha vida aqui, na verdade. Eu senti isso mesmo. Só ser o namorado de alguém e fazer meus trabalhinhos de limpar casa e viver aqui não iria resolver. Eu teria que resolver o que eu queria fazer e fazer! E a possibilidade existia. Na época eu conhecia muitos brasileiros que estavam desanimados, que me diziam : “Não acontece na Holanda, não dá, não vai rolar… é tudo muito fechado.” Nos meus primeiros anos aqui eu me virava em Inglês, mas depois chegou uma hora que bateu mesmo que eu não ia conseguir fazer amigos, não ia conseguir fazer minha estória aqui se eu não conseguisse me abrir pra Holanda, pros holandeses. Eu não queria ficar só naquela coisa “internacional” ou de holandês que adora estrangeiro. Então eu resolvi que eu teria que fazer algo pra ir atrás disso. E daí foi. Aí começou a rolar.

Você já trabalhou com teatro no Brasil?

Na verdade quando eu era pequeno eu queria fazer balé e não pude. Depois, quando eu tinha 9 anos me colocaram num curso de teatro. E ficou. Então eu fiz muito teatro no Brasil, mas na área infantil e infanto-juvenil e amador. Mas fiz bastante coisa, isso me formou também. Foi a minha adolescência inteira, em Sorocaba. 

Você acompanha o que acontece em termos de teatro no Brasil?

Um pouco. Eu vou ao Brasil todo ano e quando eu vou eu tento pegar tudo o que dá pra pegar e eu acompanho um pouco sim. Mas estar aqui e me empenhar pra que o meu trabalho vingue aqui me separa um pouco do Brasil. A vontade de ir pro Brasil está viva, vive ainda, sempre. E claro que eu tenho as fases de querer voltar, mas sempre passa, porque eu me jogo no que eu estou fazendo aqui. Isso acaba tendo prioridade. Agora nos últimos anos, como eu sou o diretor da companhia, eu posso decidir o rumo que a companhia leva e agora está começando novamente a vontade de eu querer organizar de levar um espetáculo daqui pra lá. Ou de refazer um espetáculo que eu já fiz aqui lá, com atores brasileiros. Eu morro de medo que vá demorar muito tempo porque é complicado. A distancia faz tudo ficar mais complicado. São Paulo é complicado. Brasileiro é complicado. É complicado entrar na ‘panela’. E aqui tudo é planejado com muita muita antecedência. Eu já sei o que eu vou estar fazendo daqui a dois anos e no Brasil tudo se decide 2 meses antes. Isso complica também muito. Mas agora eu estou começando a ver se eu consigo fazer contatos, se consigo falar com as pessoas lá (no Brasil) pra ver se acontece de levar o que tem tido o maior sucesso aqui, pra lá. Isso eu tenho muita vontade de fazer.

Orlando – trailer from Toneelgroep Oostpool on Vimeo.

Existem diferenças entre trabalhar com teatro lá no Brasil e aqui?

É um mundo completamente diferente. Já existem enormes diferenças entre trabalhar na Holanda e na Alemanha que são vizinhos. Imagine a diferença da Holanda e do Brasil. No teatro se desenvolve uma linguagem que é totalmente diferente. Estes dias eu estava em Lisboa e fui ver um espetáculo de um autor holandês em Lisboa. Eu queria ver, ou melhor ouvir, como seria o holandês transformado em Português. Eu assustei, porque a linguagem dramática portuguesa é tão diferente da holandesa. O que eu vi eu adorei, na verdade. É uma linguagem escura, profunda, dramática, emocionante. Mas eu pensei: “isso não iria funcionar nunca na Holanda. As pessoas iriam achar dramático demais, visceral demais.”

Mas você acha que o (teatro) holandês poderia funcionar no Brasil?

Eu acho que o holandês poderia funcionar muito no Brasil.

Também, comparado a Portugal, o Brasil é bem “light”…

Não sei, talvez. Mas também bem ‘dark’, bem dramático. A educação de um ator no Brasil é bem clássica. O falar no palco do brasileiro me assusta de vez em quando ver porque é muito “bem fa-la-do”. (Marcus exagera na esforço da dicção) Eu penso: gente, ninguém fala assim! E o jeito de falar no palco na Holanda é bem à flor da pele, bem perto, bem honesto. Simples. Mas não melhor ou pior, só muito diferente.

E aqui o uso de microfones no palco também é bem comum…

Eu nunca uso. Eu só usei uma vez, mas porque eu estava trabalhando com uma orquestra, com 40 músicos, então precisava pra poder combinar a música e o texto. Eu gosto da coisa do ator estar trabalhando mesmo. O microfone faz você relaxar um pouco, fica uma coisa meio preguiçosa. Eu gosto que os atores trabalhem com o volume, com a voz, mas sem muita declamação. Eu gosto da coisa bem íntima, de estar bem perto dos atores, porque aí vira verdade, fica mais honesto. Mas são simplesmente diferenças de linguagem. Eu sempre vejo trailers de trabalhos brasileiros, e a minha impressão é que é sempre bem dramático. São Paulo tem essa coisa do Antunes que ficou, tá no sangue das pessoas. E é bonito também, é tradição. Então existem diferenças e estou muito curioso em pegar tudo que eu desenvolvi, que eu aprendi aqui e tentar fazer lá e ver como funciona. Por isso que seria interessante primeiro levar um trabalho feito aqui e depois um dia, em breve, trabalhar com atores brasileiros. Não posso falar muito ainda pois sei na verdade muito pouco do desenvolver do teatro brasileiro deste século.

Marcus dirigindo os atores de Angels in America

Marcus dirigindo os atores de Angels in America

 

No seu trabalho você mescla super clássicos como o Hamlet, O Quarteto (de Heiner Muller) e mesmo agora o Angels in America, com coisas de holandeses novos, contemporâneos. Você levaria um clássico ou um contemporâneo pro Brasil?

Eu gostaria muito de levar o Angels in America, que tá agora em cartaz aqui. Eu gostaria muito de começar com ele. E o sonho mesmo é levar coisas novas também porque a dramaturgia holandesa é muito boa. Escreve-se muito e muito bem aqui. Tem muitos textos novos. É inacreditável.

Trailer Angels in America – Toneelgroep Oostpool from Toneelgroep Oostpool on Vimeo.

Você não acha que faria muita falta o contexto para o público brasileiro?

Não sei, depende da tradução e do tema. Nem todo trabalho que é escrito agora na Holanda funcionaria no Brasil. Muitas coisas são muito políticas, tem muita crítica social, estes textos não funcionariam, porque são muito dependentes do contexto, de como a gente vive aqui. Mas muitas outras coisas funcionariam com certeza. Trabalhos mais universais.

Tipo Maria Goos (ndr: premiada autora holandesa) é universal….

Sim é universal, é quase global.

Marcus dirige duas atrizes em De Onrendabelen

 

Desde a crise de 2008 o governo holandês tem implementado cortes consideráveis no orçamento, o que gerou uma grande diminuição dos subsídios para a área da cultura. Estes cortes te atingiram?

Atinge todo mundo na verdade. A nossa companhia não muito, porque na redistribuição dos subsídios nós acabamos nos saindo bem. Nós fomos muito bem avaliados artisticamente e os critérios para os cortes foram escolhas bem artísticas, o que é interessante. Mas por outro lado, os cortes foram dramáticos, então no fim atinge todo mundo. Eles tiraram muito dinheiro do desenvolvimento de novos talentos. A Holanda era muito conhecida por produtoras que desenvolviam os talentos novos e isso praticamente acabou. De vinte e duas produtoras sobraram três. Então isso foi e esta sendo muito difícil pra todo mundo.

Pras pessoas terem ideia da importância dos subsídios na produção cultural aqui, você sabe qual é a porcentagem dos subsídios no orçamento da sua companhia?

É quase tudo. Nós recebemos 2 milhões e meio de euros do Governo Holandês, mais um pouco de dinheiro da cidade de Arnhem, mais um pouco da província, e o resto é de bilheteria e patrocínio.

Isso é uma diferença fundamental com o Brasil também, não? Lá as companhias dependem muito da bilheteria… Por isso que as coisas que fazem sucesso também ficam 3 anos em cartaz…

Aqui também não tem público pra isso. Aqui nada fica 3 anos, 10 anos em cartaz porque não tem público pra isso, a Holanda tem 16 milhões de pessoas, São Paulo já tem o que, 19? E um teatro pequeno em São Paulo tem 300 lugares, um teatro pequeno em Amsterdam tem 60. E tem gente que ainda tem dificuldade em achar 60 pessoas por noite, por uma semana. E todas as companhias brigam pelo mesmo público. Público que gosta de teatro e por uma geração nova. Tem toda uma geração jovem e inteligente que tem que descobrir o teatro. E a gente investe muito nisso: tentar criar um público novo, porque o público mais velho vai morrendo, literalmente. Tem gente que não reage mais porque morreu ou tem Alzheimer. Então o público teatral na Holanda envelhece muito e é muito pequeno. Nós temos a obrigação de ter 50.000 pessoas por ano de público para manter os subsídios. É pouquíssimo, comparado ao Brasil isso é “peanuts”! Um espetáculo em temporada em São Paulo chega nisso rapidinho. Então é caro fazer teatro na Holanda e tem que ter subsídio pra poder fazer. Só com o dinheiro de bilheteira não rola. E isso é uma liberdade interessante também no Brasil, poder fazer teatro com o dinheiro de bilheteria, não só com o dinheiro do subsídio, porque com o subsídio vem também um monte de obrigações. Mas o que o subsídio mais possibilita é a coisa experimental, é estar desenvolvendo a linguagem teatral, não deixar estagnar, não deixar parar naquilo que o teatro comercial já faz. Isso e muito importante!

Mudando completamente de assunto, você disse uma vez numa entrevista que sempre se sentia um “outsider” exceto quando está em casa e você também dirigiu uma peca que chamava “Em casa você nunca está sozinho”. O que é estar em casa pra você?

Essa coisa do “outsider” ficou e sempre vai ficar, eu acho. Ainda me sinto mesmo, sempre. E nos meus espetáculos sempre tem personagens que são “outsiders”, estão brigando com esta coisa. Eu acho que o fato de ir morar fora e tentar se jogar num país como eu tentei me jogar na Holanda desenvolve a sua identidade. Você muda muito. Você acaba mudando porque, como eu sempre digo, tem que mudar. Tem que se desenvolver senão não encaixa. Tem que ser maleável e isso te faz sentir só, de vez em quando. Não ter nascido aqui, não ter crescido aqui, tem essa coisa da raiz, de não poder estar com a família, de não poder ver amigos de infância. A raiz ainda cresce forte mas em outro lugar, aqui também plantei raízes mas são mais novas, fortes mas recentes. Eles não me vêem mais como estrangeiro. Quase em nenhuma crítica não se escreve mais que eu sou um diretor brasileiro. Eles me chamam de diretor e eu venho do Brasil. No começo sim, era sempre “o diretor brasileiro” mas agora mudou. Eu sou bem holandês na verdade. Procurando um equilíbrio entre os dois mundos o dado ao nascer e o conquistado na vida adulta.

Você também fala um Holandês impecável, o que faz toda a diferença…

Sim, só que no fundo eu vou sempre ser brasileiro, vou sempre ser o estrangeiro. Tem sempre alguma coisa de diferente em como eu falo, como eu sou, da minha emocionalidade, na minha busca, em como eu faço isso, tem uma diferença. Eu me sinto diferente. E na verdade eu gosto disso, eu gosto de ser brasileiro.

Então você acha que (o ser brasileiro aqui) é algo que no começo era negativo e se tornou positivo?

Sempre existe o positivo e o negativo (risos) e que você sempre vai buscar o equilíbrio entre estas duas coisas. Quando eu estou no Brasil, também me sinto muito não-brasileiro, um estrangeiro, e demora pra encontrar as palavras.

E mesmo que você não se sinta, as pessoas te fazem sentir, né? Dizem que você tem um sotaque…

Eu falo muito pouco Português, praticamente não falo. Então quando vou falar e falar do meu trabalho em Português, nossa! Enrola tudo, não sai nada, me sinto burro. Eu estudei aqui então tudo o que eu aprendi de teatro foi em Holandês . Então eu me sinto meio fora. Ser estrangeiro, ser artista sempre tem isso, são as minorias na verdade que se juntam e aumentam a coisa de ser um “outsider”.

Você tem um filho. Como aconteceu isso?

Eu tenho um filho com uma amiga holandesa. A gente se conhece já há uns 23 anos e com muita conversa, muita conversa, muita conversa, a gente chegou a conclusão que a gente ia ter um filho juntos. E temos! (risos) Simples. A gente mora um do lado do outro, a gente é vizinho mesmo, uma porta do lado da outra e o Hugo já tem 8 anos. E vivemos muito bem.

E como pai você também é um “outsider” ou um pai “normal”?

Ser pai me relaxa, e o estar em casa, eu acho que ser pai é tão mais importante que qualquer outra coisa na vida e isso desenvolve um relaxamento, um sossego, um equilíbrio grande. Estar em casa com amor, com um filho…

A casa deixa de ser um objeto e passa a ser uma família? Você não sente mais a falta da família porque você criou a sua?

Exatamente! É isso. E agora o vínculo na Holanda já é tão profundo, que voltar pro Brasil é uma coisa pra daqui a 20 anos, talvez. Mas eu ainda sinto saudades sim, pois a família brasileira esta sempre muito longe.

Quando você parar de trabalhar?

Talvez… ou quando o Hugo estiver adulto, pode ser que venha a vontade de voltar a morar no Brasil. Mas no Brasil de hoje?? Não, obrigado! Nossa! Eu tenho acompanhado, tá uma loucura! Tá todo mundo louco! Você vê as reportagens destas manifestações e ninguém sabe por que ele estão se manifestando! Eu vi várias entrevistas com pessoas nas manifestações e eles não sabem por que estão lá. Não sabem dizer o porque. A única coisa que sabem dizer é que o PT tem que sair, que a Dilma tem que sair, que tudo é uma roubalheira e ai começam os palavrões. Gente, o que tá acontecendo? Estes dias eu estava no telefone como uma amiga que mora em São Paulo e ela me falou: a manifestação que está acontecendo agora tá com cara de carnaval! Parece fim de festa, fim de jogo. As pessoas tão peladas, com peitinhos de silicone, tudo de silicone, salto alto e pelada, porque? Isso tudo por o governo ter tentado, nos últimos anos, fazer alguma coisa contra a pobreza, pra dar um pouquinho de melhora às pessoas que eram pobres, pobres mesmo e isso acabou atingindo os ricos, ou a classe média semi-alta.

Você acha que atinge em termos materiais ou …

Atinge de medo. E a classe média semi-alta é o grande problema. É ela que esta fazendo manifestação sem saber por que. E eu também vi um vídeo de uma senhora no Rio, passando por uma manifestação e atacaram a mulher! E é só palavrão, eu falei: nossa, gente, vão bater na mulher! E agora parece que fazer manifestação virou moda. Cadê esse povo nos últimos 20 anos? Onde estavam estas pessoas, que agora toda semana estão na manifestação? E a burrice enorme, sem tamanho, de querer voltar pra época da ditadura. Eu vi uma entrevista com um cara na rua dizendo que ele teve uma vida ótima durante a ditadura. Aí perguntaram pra ele o que ele fazia e ele era policial aposentado. Eu falei: então tá, né meu senhor? O senhor era policial na ditadura. Então o Brasil com isso tudo que tá acontecendo….me assusta. Eu vejo tudo de uma posição privilegiada, porque eu moro aqui. Fora, longe. Eu não posso nem reclamar do que tá acontecendo lá, não me sinto no direito de poder dizer algo sobre, então eu não reclamo mesmo. Mas me assusta. Eu vejo e penso: gente o que tá acontecendo e onde isso vai parar? O que precisa acontecer pra esta loucura parar?

Trailer Barbaren – Toneelgroep Oostpool from Toneelgroep Oostpool on Vimeo.

Koud Water from wiel on Vimeo.

© Braziel 2015
fotos e videos: divulgação Toneelgroep Oostpool

Pra assistir mais fragmentos de montagens dirigidas por Marcus Azzini, consulte a página do Toneelgroep Oostpool no Vimeo.

2 Comments

  1. Name
    May 20, 2015

    Lindo. Lindo. Lindo.

  2. January 10, 2016

    Muito interessante o comentário. Mas meu problema são essas dores. Quando sofri uma crise de dor lombar, o médico me indicou desse colchão terapêutico . Quem daqui já ouviu falar? Parece que trata até insonia.

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